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Intro
Não somente lemos o roteiro: nós o sentimos.
A história da Dona Rosa e da Mariana não é apenas um filme publicitário, mas um fragmento da realidade brasileira que nos toca profundamente.
Eu, Peri, revivi minhas próprias memórias ao ler sobre a neta nos corredores, lembrando de quando acompanhava minha mãe nos “bicos” de faxineira em uma escola, sempre colado nela e observando tudo com aquele olhar curioso de criança.
Esse é um tributo ao
reconhecimento
Queremos contar a história de como uma semente plantada pelo incentivo silencioso de uma avó floresce em uma conquista no futuro. Para nós, o foco aqui é a gratidão: o diploma não é só da Mariana, é da Dona Rosa também.
Toda pessoa que ascende socialmente se sente grata por quem acreditou e incentivou no passado.
Linguagem
Nossa busca central neste projeto é pelo naturalismo. Queremos uma estética real, quase documental em sua essência, mas profundamente cinematográfica na execução.
Mood
Essa referência representa muito do que queremos trazer para o projeto: é um filme sensorial que mostra a cumplicidade entre os personagens.
A montagem e a paisagem sonora nos faz imergir no filme e o ritmo transita entre lento e rápido, junto com os sfx e trilha.
Nos interessa mostrar a grandeza que existe nos gestos cotidianos
Um recurso importante da nossa direção será o olhar de Rosa para a neta. Em diferentes instantes, veremos a avó contemplando Mariana sem que ela perceba.
A câmera assume uma posição de cúmplice e oferece apenas que o espectador acesse o orgulho silencioso de Rosa.
É essa presença discreta, constante e profundamente amorosa que transforma Rosa no alicerce emocional da trajetória de Mariana, até o momento em que a jovem devolve esse olhar.
A epifania
Vemos o momento que ela está no corredor com sua avó, algo que desperta a curiosidade da neta e, depois o seu ponto de vista, em câmera lenta. Quando cortamos para o rosto de Mariana, ela está paralisada, encantada com a cena. Depois, vemos Rosa ao fundo, que percebe o momento e vem pra falar com ela.
Conceito e
Simbolismos
Queremos trazer a química para o filme não apenas como parte da formação de Mariana, mas como uma camada sensorial que permeia toda a narrativa.
Em alguns trechos, usaremos imagens de elementos químicos se aproximando e se transformando em conexões poéticas com a relação entre avó e neta, em imagens que podem parecer microscópicas e, ao mesmo tempo, cósmicas. Esses inserts ampliam a experiência e tornam a narrativa mais íntima, conceitual e visual.
Para materializar a evolução
estabeleceremos uma rima visual
Quando criança, Mari explora seu entorno espiando por uma luneta. Através desse enquadramento circular, vemos o ponto de vista dela, vendo sua avó nos corredores da faculdade. Ela olha para o mundo buscando o macro, enxergando a vida como pura mágica.
Na fase adulta, o olhar pela luneta é substituído pela lente do microscópio. As imagens que antes eram puramente lúdicas retornam, o círculo da lente é o mesmo, a curiosidade permanece intacta, mas a mágica infantil se transformou em conhecimento científico.
Passagem do tempo
O filme transita por diferentes fases da vida de Mariana e Rosa.
A passagem do tempo acontece no Natal. Junto do movimento da câmera, a menina se transforma na Mariana aos 18 anos. Também vemos uma mudança em Rosa, que envelheceu um pouco em relação as primeiras cenas do filme.
A faculdade é o alicerce dessa relação, simbolizando um sonho mutuo. Durante o período em que ela está na faculdade, daremos ênfase a dedicação, vivência e tudo de bom que esse ambiente proporciona para o seu desenvolvimento
Teremos inserts estudando na sala de aula, no laboratório e em casa. Alguns serão montados por cortes rápidos, enquanto outros trarão um efeito de velocidade relativa: Mariana permanece nítida enquanto as outras pessoas cruzam o quadro de forma acelerada, deixando rastros pelo uso do slow shutter.
Cinematografia
Nossa fotografia será contemplativa, consciente e muito atenta à composição de cada quadro. Buscaremos enquadramentos com textura, profundidade e diferentes camadas de informação.
A fotografia trabalhará diretamente com a mise en scène. A posição dos personagens, os deslocamentos da figuração, os objetos e os vazios dentro do quadro fazem parte desse desenho. Assim, mesmo os recortes mais cotidianos ganham volume e interesse visual, sem perder o naturalismo que conduz o filme.
A luz também reforça essa profundidade. Na faculdade, vamos explorar a iluminação do próprio espaço, os reflexos nos vidros, o brilho do laboratório e as linhas da arquitetura para criar contraste e diferentes camadas.
Em casa, o tom quente e delicado do Natal traz pontos de luz, reflexos e molduras naturais ao redor das protagonistas. Queremos uma imagem forte e sensível, em que luz, arte e encenação trabalhem juntas para contar essa história.
A câmera terá movimentos controlados, sem o uso de câmera na mão. Por meio de travellings e steadicam, acompanharemos as atrizes sempre que houver uma intenção narrativa.
Em momentos pontuais, utilizaremos uma lente Lensbaby para acessar uma percepção mais sensorial da história.
Seu foco seletivo e as distorções que se formam nas bordas nos permitem destacar um gesto, um olhar ou uma descoberta enquanto o restante da imagem se dissolve. O uso será delicado, como uma pequena ruptura poética dentro do filme.
Arte
Nossa proposta é uma direção de arte sensível, pautada na realidade, com elementos simples mas que geram conexão por estarem sempre presentes no cotidiano de todas as pessoas. Traremos cores e texturas alinhadas ao guide de Uninter e a personalidade zelosa das protagonistas.
A Casa
A casa de Rosa será um lar simples e zeloso, com crochês, porcelanas, fotografias de família e objetos reunidos ao longo dos anos. O Natal segue esse mesmo direcional, com pisca-piscas, laços e enfeites artesanais.
A cada salto no tempo, mudanças sutis no espaço ocorrem e revelam o crescimento de Mariana, enquanto a permanência de certos elementos preserva a memória familiar.
O Quarto
O quarto de Mariana terá uma decoração simples e acolhedora, capaz de revelar sua personalidade sem parecer excessivamente produzida. As texturas da roupa de cama, pôsteres, livros, luminária e pequenos objetos do cotidiano ajudam a criar um espaço vivo, jovem e possível. Sobre a escrivaninha, a luneta permanece como um objeto afetivo, conectando o ambiente à curiosidade que acompanha Mariana desde a infância.
A Uninter
Na Uninter, vidros, corredores, laboratórios e equipamentos formam um ambiente acolhedor, tecnológico, organizado e funcional. A decoração de Natal ocupa portas, corredores e espaços de convivência, trazendo cor e calor para a arquitetura.
Estética das
Personagens
Rosa e Mariana serão interpretadas por mulheres pretas. Essa escolha não se baseia apenas nas dificuldades que marcam suas trajetórias, mas na força de uma relação firmada entre essas gerações. Uma abre o caminho para a outra. Mais do que avó e neta, elas são companheiras, e essa cumplicidade aparece nos silêncios, nos olhares e nos pequenos cuidados.
Buscaremos atrizes com presença e atuações muito naturais, capazes de gerar essa intimidade sem precisar explicá-la.
Rosa
Imaginamos uma atriz na faixa dos 50/60 anos, com um rosto expressivo e uma postura firme, porém acolhedora. Sua força é serena e grande parte de sua emoção está no rosto. Rosa observa, compreende, se orgulha e enxerga um futuro para Mariana antes mesmo que a menina consiga imaginá-lo.
Ela será vista em seu uniforme de trabalho e em roupas práticas e confortáveis do dia a dia. Na formatura, ela surge com aquele vestido que geralmente guardamos para uma ocasião especial.
Mariana
Ela passa do encantamento infantil para a curiosidade e, depois, para a dedicação aos estudos. No casting das duas procuraremos semelhanças físicas, mas principalmente uma mesma vivacidade na expressão e trejeitos que possam resistir ao tempo.
O figurino acompanha esse desenvolvimento. Algumas cores e pequenos detalhes podem se repetir entre as fases, ajudando a conectar as atrizes. Mariana parte das roupas simples e lúdicas da infância chega ao jaleco de química e, finalmente, à beca.
Acting e
Preparação de Elenco
Nossa direção de atores fundamenta-se em ações e intenções concretas. Em vez de pedir uma emoção, trabalhamos o que cada personagem deseja, observa ou tenta esconder em cena. A partir daí, o sentimento surge como consequência da experiência.
Por esse motivo, é indispensável uma diária de preparação com o elenco. Por meio de improvisações de situações cotidianas, vamos desenvolver uma familiaridade autêntica entre as atrizes e encontrar formas de contato que possam se manter nas diferentes fases. É a partir desses exercícios que elas encontrarão o tom ideal, o que faz toda a diferença para trazer verdade ao roteiro.
Vamos nos inspirar nessa verdade para construir as cenas de convivência. Queremos mostrar a força da relação que as duas construíram ao longo dos anos.
Decupagem
A seguir, veremos o filme cena a cena, reunindo referências que ajudam a visualizar o enquadramento, a atmosfera e o ritmo de cada momento. As imagens não serão reproduzidas de forma literal, mas traduzem nossas intenções de narrativa ao longo da jornada de Rosa e Mariana.
Na cena inicial, apresentamos o laço entre Rosa e Mariana. De mãos dadas, elas atravessam o corredor do polo, onde conhecemos o cuidado da avó e o encantamento da menina ao descobrir o laboratório de química.
Inserts da Mariana acompanhando a rotina da avó na Uninter. Ela observa o laboratório, mostrando que seu interesse pela Química começa a crescer
Na noite de Natal, Rosa presenteia a neta com um brinquedo de Pequeno Cientista, demonstrando que acredita no sonho que começa a nascer. Depois do presente, mostramos alguns inserts da relação de Mariana com sua avó e da neta fazendo experiências químicas caseiras.
Mais um natal e fazemos a passagem para Mariana adulta. Ela conta à avó que se tornou estudante de Química.
Mariana chega ao polo como aluna pela primeira vez. Inserts de cenas de Mariana estudando no polo e em casa, com Rosa a observando em alguns momentos.
Em outro natal, Mariana entrega à avó o convite de formatura e pede que Rosa suba ao palco para receber o diploma ao seu lado.
No dia da formatura, Rosa encontra Mariana de beca e a ajuda a se preparar para a cerimônia.
O filme termina com as duas de mãos dadas em direção ao salão, retomando a imagem do início e celebrando uma conquista construída juntas.
Desenho de som
O desenho de som será pensado junto com os diálogos, os efeitos sonoros e a trilha, funcionando como um dos fios condutores da nossa linguagem. Ele acompanha as mudanças de ritmo do filme, criando espaço nos momentos de pausa e descoberta, mas também ajudando a construir a aceleração das passagens de tempo.
Na epifania de Mariana, é como se o tempo parasse. Os ruídos ao redor diminuem e os sons do laboratório ganham presença. Em casa, os pequenos ruídos da rotina também ajudam a contar a história.
A trilha começa acústica e íntima, com poucos instrumentos e espaço para que os diálogos e os sons das cenas respirem. Ao longo do filme, ela ganha novas camadas junto com o crescimento de Mariana, chegando ao ápice emocional no momento da formatura.
Obrigad_!
Estamos muito empolgados com este projeto porque ele tem a ver com a nossa trajetória e com o tipo de filme que buscamos realizar: humano, cinematográfico e sensorial. Temos certeza de que iremos construir juntos um trabalho muito especial, sensível e relevante.
Seguimos à disposição para conversar e construir essas ideias juntos.
Ça Va Art & 2Vilão