1. CINEMA
cada impressão fotográfica ou quadro unitário de um filme cinematográfico.
2. FOTOGRAFIA
cada imagem de um filme (negativo ou slide ).
Quando a luz atinge a película fotográfica, ela interage com os cristais de haletos de prata, formando uma imagem latente que, posteriormente, é revelada para se tornar uma imagem visível. A maneira como a imagem é processada, revelada e fixada tem um impacto significativo na textura final e na permanência da imagem ao longo do tempo.
Mesmo após o processo de fixação, pequenas quantidades de haletos de prata podem permanecer no papel fotográfico. Esses resíduos podem continuar a reagir muito lentamente ao longo do tempo, especialmente se o processo de lavagem não for eficiente o suficiente para remover todos os produtos químicos de fixação.
Fotografia é mobilidade social e ferramenta pra elaborar, registrar e criar um futuro melhor.
Para o brasileiro que está entre os 10% mais pobres da população, levaria 9 gerações – aproximadamente 180 anos – para atingir a classe média no país, considerando as atuais condições de renda, educação, trabalho e saúde*. Esse é um fator que é diminuído através de iniciativas sociais, assim como foi o projeto Click na Lata e como é Instituto Criar, por exemplo. No filme queremos mostrar esses atravessamentos na passagem do tempo, que diminui gerações e alcança a mobilidade social através da arte.
*De acordo com um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
Traremos imagens de futuros possíveis, representados através da história de Caíque e Tainá, que são jovens periféricos envolvidos em projetos culturais do bairro, nas áreas da fotografia e da música.
Esses elementos que fazem parte da história dos personagens são parte importante da narrativa, ditando uma fotografia e trilha sonora artísticas, misturando elementos característicos da fotografia analógica com a fotografia digital, usada atualmente. A trilha sonora é responsável por dar ritmo ao filme, mostrando momentos mais sensoriais, poéticos e também momentos mais urbanos/contemporâneos.
Moradores da periferia de São Paulo e melhores amigos de infância, Caíque e Tainá compartilham o sonho de viver da arte: ele na fotografia e ela na música. Através de coletivos culturais do bairro, eles encontram uma oportunidade de estudar no centro da cidade: Caíque consegue uma bolsa em um prestigiado curso de fotografia e convive com realidades totalmente diferentes da dele. E Tainá encontra dificuldades para se locomover no transporte público com seu violoncelo. Essa oportunidade traz para eles não só uma ascensão social e profissional, mas uma nova perspectiva sobre a forma de se relacionar com a cidade, que se torna um elemento importante no seu fazer artístico.
Além disso tudo, o curta mostra essa relação de amizade e o elo criado entre os dois. A felicidade que cada um sente ao ver o outro conquistando e realizando sonhos.
Experienciando a cidade, Caíque encontra pessoas e histórias e decide registrar para seu trabalho do curso. No filme, mostramos essas histórias em uma linguagem documental, onde o espectador não sabe definir se é realidade ou uma cena ficcional.
A personagem Tainá é inspirada nas mulheres que fazem parte da Orquestra Chiquinha Gonzaga, projeto apoiado pela Galp. A ideia é integrar algumas mulheres no projeto, tanto na construção do roteiro quanto auxilio na atuação de Tainá com instrumento.
Outro projeto apoiado pela Galp, gostaríamos de convidar a Orquestra Maré do Amanhã para trabalhar conosco no filme e criar uma trilha sonora original, trazendo ainda mais símbolos e força para o projeto.
Através da trilha sonora, ditaremos o ritmo do filme e de forma poética, os momentos e sensações que os personagens estão sentindo.
É quase como em meio a todo caos, Tainá se acalmasse só por estar ali, improvisando uma música no seu violoncelo.
Para além desse momento sensorial, queremos mostrar também a música como ferramenta de mobilidade social.
A relação entre os dois é algo que queremos tratar no filme, a importância de se ter amigos que estão com você em todos os momentos, apoiando e aconselhando nos momentos que você não sabe o que fazer. Queremos retratar Tainá sempre ali, fazendo o Caíque não desacreditar do próprio sonho e aconselhando ele sobre as experiências vividas no novo curso. E Caíque a mesma coisa com Tainá, registrando os momentos dela em fotos e vídeos, os dois sempre ali valorizando a arte um do outro.
As passagens de tempo também são um recurso importante da linguagem do filme porque mostra de forma poética a evolução de cada personagem, seja na fotografia ou na música.
Caíque, que começa clicando em uma lata e monta sua própria exposição de arte e Tainá, que aprendeu tocar violão sozinha em casa, com um violão usado que comprou em uma loja de artigos antigos e depois vai aprendendo novos instrumentos, se apaixonando pelo violoncelo e alcançando fazer parte de uma das maiores orquestras do Brasil.
A cidade é quase um personagem do filme. A relação de Caíque e Tainá com ela é muito importante pra ascensão social dos dois personagens.
A forma como iremos retratá-la segue a linha narrativa de brincar com efeitos de fotografia, então usaremos bastante o estilo time lapse e stopmotion nos transportes e movimentação periferia-centro dos dois.
“E jamais volte pra sua quebrada de mãos e mente vazias.”
trecho da música Levanta e Anda – Emicida
No embate entre a realidade e os sonhos resilientes, “Fotograma” é uma homenagem à amizade que inspira a arte e à arte que molda novos caminhos. É uma contemplação visual e sonora sobre a mobilidade – metafísica, social, tangível e emocional – e um testemunho da jornada contínua pela conquista de sonhos.